SurfCasting
Na sua essência o Surf Casting tem como objetivo a pesca em praia em situações de mar revolto. O “surf casting” lançamento na rebentação necessita de praias recortadas caracterizadas por uma grande inconstância do seu perfil e grande freqüência de mar batido. É nestas condições que alguns dos peixes procuram alimento. Com uma boa ondulação, as águas são bem oxigenadas e o fundo da praia é revolvido o suficiente para por os peixes a procurar comida. Para este tipo de pesca não basta ter uma boa técnica e bom material; embora sejam indispensáveis, é bem mais importante a prática, a observação do mar e a acumulação de experiências. Um pescador de praia para obter bons resultados, tem uma boa cana de carbono, um carreto com boa saída de fio, utiliza linhas apropriadas para a bobina, e consegue colocar a chumbada longe da praia.
Vista de cima, uma praia não é totalmente retilínea, possui verdadeiros pontões de areia que entram pelo mar, contrastando com reentrâncias mais ou menos fundas, designadas por “curveiros”. A observação destes locais é indispensável à nossa decisão. Antes de montarmos o nosso equipamento de pesca e o pormos a pescar, devemos observar a praia à nossa volta durante algum tempo. Se o mar tiver uma ondulação forte, mais ou menos 2 metros e a corrente for significativa (detectamos a corrente pela velocidade da deslocação da espuma provocada pelas ondas e pelo ângulo formado entre a praia e a ondulação), devemos procurar um “curveiro” (canal) com boa comunicação com águas mais profundas e onde a corrente seja na direção perpendicular à linha de costa, normalmente o centro do pesqueiro. Se a ondulação for fraca devemos ter muita atenção à direção da corrente, mais difícil de detectar mas mais importante na nossa decisão. A pesca deve então realizar-se, não no centro do “curveiro”, mas nas suas vertentes interiores. Devemos sempre procurar um pesqueiro onde haja alguma agitação de águas e onde se acumulem os detritos transportados pela corrente.
Quando o mar é muito calmo e a ondulação muito fraca, a pesca torna-se muito difícil e a procura de um bom local de pesca mais exaustiva. O peixe aproxima-se da praia só perto da praia-mar e são necessários lançamentos muito longos (normalmente obtêm-se melhores resultados na pesca noturna). Nestas condições em que a rebentação é quase nula, existe outro sistema bastante eficaz: consiste em efetuar um lançamento muito longo, só com uma chumbada. Depois recupera-se lentamente, e é o comportamento da chumbada que nos vai dizer onde pescar! Se a chumbada se desloca em pequenos saltos, estamos na presença de um fundo sem peixe. O sinal dos depósitos de detritos é nos dado quando a chumbada tende a sofrer uma prisão, sente-se uma maior resistência; é quase uma sensação de fundo macio. É este o local que nos interessa. Normalmente são necessários vários lançamentos, uns mais longos e outros mais curtos para realizarmos esta sondagem do local de pesca.
Outro pesqueiro a considerar são as línguas de areia paralelas à linha de costa. Normalmente estas “coroas” de areia provocam a rebentação da ondulação. Por detrás da rebentação poderemos, com êxito quase certo, procurar as nossas presas, ainda um tipo de pesqueiros muito interessantes, são aqueles onde afloram formações rochosas cobertas de bancos de mexilhões. As douradas “adoram” estes locais, o importante é sabermos se as rochas não estiveram cobertas de areia até há pouco tempo e por isso sem “vida” a recobri-las. A instabilidade das areias na praia torna a busca de locais de pesca uma constante que o pescador atento não despreza. Basta mudar a direção do vento e todas as condições se alteram.
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